Conheça a ciência por trás das roupas que aliviam dores crônicas

Pesquisadores de diversos países têm trabalhado na criação dos chamados tecidos inteligentes, que já são vendidos no mercado brasileiro

Lombalgia: oito a cada dez pessoas terão dores nas costas ao longo da vida, mas tecidos inteligentes podem ajudar (AJ_Watt/Getty Images)

As roupas surgiram ainda na Pré-História como uma forma de cobrir e proteger o corpo humano dos elementos da natureza. Desde então, os diversos modelos, tecidos e estampas ganharam também a função de valorizar a individualidade das pessoas. Mas a história da indústria têxtil não para por aí. O setor continua evoluindo, e já existem roupas que apresentam funcionalidades terapêuticas, que podem ser utilizadas para o tratamento de condições médicas.

Pode parecer algo futurista, mas boa parte das pessoas já faz uso de tecidos inteligentes, como em colchões ou travesseiros antialérgicos e camisetas com proteção ultravioleta (UV). A previsão da consultoria Markets and Markets é que o mercado de tecidos inteligentes atinja um faturamento de 4,7 bilhões de dólares até 2020, o que representa um crescimento de 33,6% do setor em cinco anos.

Pesquisadores de diversos países têm trabalhado no desenvolvimento de novas tecnologias que podem até mesmo complementar o tratamento de um paciente com dor crônica, ou seja, com sintomas que persistem por um período maior do que três meses. Considerando que oito a cada dez pessoas terão dores nas costas ao longo da vida, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os tecidos inteligentes que aliviam as dores têm grande potencial para se popularizar.

Veja o caso da Invel. A empresa criou uma tecnologia chamada Biocerâmica MIG3 (Mineral Inorgânico Goen3), um composto ativo irradiador de infravermelho que é incorporado às tramas dos tecidos. Em outras palavras, o tecido é tratado com uma substância com propriedade de estimular a vasodilatação e o aumento do fluxo sanguíneo da área em contato com o produto, gerando relaxamento muscular e alívio das dores crônicas.

O resultado é uma roupa que parece comum, mas que é capaz de atuar como coadjuvante em um tratamento médico, de forma segura, com poucos efeitos adversos ou contraindicações. “Há necessidade de métodos que tratem a dor com uma margem de segurança satisfatória, principalmente para a população de idosos, que está crescendo rapidamente no Brasil”, afirma o dr. Manuel Jacobsen, especialista em neurologia que já conduziu pesquisas sobre o assunto.

Os produtos da marca foram colocados à prova por médicos do Hospital das Clínicas, em São Paulo. “É preciso comprovar a segurança, a eficácia e a qualidade dos produtos por meio de estudos científicos”, afirma a dra. Roberta Simões, diretora técnico-científica da Invel.

Um estudo feito com o chamado Grupo de Dor, por exemplo, avaliou a eficácia da camiseta Actiive shirt. Os pesquisadores dividiram os 70 voluntários em dois grupos. Enquanto o grupo A utilizou a camiseta Invel, o B usou uma roupa sem a tecnologia. Após duas semanas, concluiu-se que os participantes do grupo A apresentaram uma melhora de 45% da dor lombar crônica.

Além da camiseta, existem outros produtos que podem ajudar a aliviar a dor e que foram avaliados por médicos e reconhecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Há, por exemplo, uma linha de meias e a palmilha Invel Actiive Insole. Ambas aliviam as dores e o cansaço nas pernas e pés. O sintoma é recorrente entre a população, seja por ficar muito tempo em pé ou sentado, seja por realizar longas caminhadas, exercícios físicos e até mesmo voos de longa duração.

Já a luva Invel Actiive Glove auxilia pacientes que sofrem com dores nas mãos, cansadas por patologias ou por esforço repetitivo. Segundo estudo feito pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o uso por seis horas diárias durante quatro semanas reduziu, em média, 55% da dor nos punhos. “As roupas terapêuticas são seguras, eficazes e simples, se levarmos em conta a capacidade de melhorar a condição de uma pessoa sem a necessidade de intervenções farmacológicas ou médicas”, afirma Jacobsen.

Fonte: exame.abril.com.br