Por que o cochilo é tão importante para nossa produtividade?

Cochilo

O cochilo (ou a soneca) é uma experiência transcultural definida como uma interrupção da vigília durante o dia, ou seja, quando dormimos por um período curto, enquanto ainda há luz, ou no horário considerado “produtivo”.

O cochilo parece estar relacionado a uma melhora do desempenho motor, do estado de vigília (alerta e atenção) e das funções cognitivas como consolidação de informações novas. Podemos comparar o cérebro com um computador. Após o cochilo ou a soneca, embora o indivíduo não atinja todos os estágios padrões de sono, é como se o cérebro desse um “restart ou reset”, fazendo com que suas atividades sejam reiniciadas com uma performance melhor.

O cochilo não deve ultrapassar 90 minutos. O ideal é que dure de 20 a 40 minutos. O motivo é que períodos longos de cochilo levam ao que chamamos de inércia após o sono. É como se você acordasse mais cansado do que quando dormiu. Embora essa sensação melhore com o passar das horas, acaba prejudicando o reinício das atividades produtivas.

No entanto, o cochilo ainda é um tema controverso, já que não existem recomendações e definições claras sobre isso. Portanto, sua indicação dependerá de cada contexto clínico. Em um indivíduo idoso, por exemplo, que se sente bastante cansado durante o dia e tem uma redução importante de sua atividade motora, pode-se recomendar um cochilo após o almoço a fim de melhorar estes aspectos.

Existem também aqueles indivíduos que têm muita dificuldade para iniciar o sono à noite (insônia inicial) e para os quais um cochilo à tarde pode ser mais uma tortura que um alívio. No final das contas, os que aproveitam mais a soneca são as pessoas com uma latência bem curta para o sono, ou seja, tão a cabeça encosta no travesseiro, em pouquíssimos minutos já estão dormindo.

Vale lembrar que o cochilo é algo muito comum, fisiológico em recém-nascidos e crianças. Outra coisa interessante é lembrar que o cochilo seguido de um bom copo de café (com aproximadamente 200mg de cafeína) pode ser um aliado muito útil para aquelas pessoas com dificuldade para enfrentar uma segunda ou terceira jornada de trabalho.

Fonte: BEMPARANÁ

Por Dr André Felicio, neurologista, doutor em ciências pela UNIFESP, membro da Academia Brasileira de Neurologia e clinical fellow da University of British Columbia no Canadá (CRM 109665).