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Vasculite

Vasculite é o nome que se dá a um grupo de inúmeras doenças diferentes que têm, em comum, a inflamação da parede dos vasos sanguíneos, sejam artérias ou veias de pequeno, médio ou grande calibre. Como consequência do processo inflamatório, as paredes se tornam mais grossas e atraem células do sistema de defesa do organismo que se acumulam no interior do vaso. Essa reação pode provocar um estreitamento (estenose) que dificulta a passagem do sangue ou interrompe completamente o fluxo sanguíneo. Quando isso ocorre, os tecidos e órgãos irrigados pelos vasos inflamados deixam de receber o sangue necessário para sua sobrevivência.

Uma vez afetado um vaso, a probabilidade maior é que, dali em diante, apresente alterações em sua estrutura, tais como o enfraquecimento da parede, que predispõe à formação de aneurismas e hemorragias, ou o aumento definitivo de sua espessura.

Classificação

As vasculites podem surgir em qualquer vaso do corpo de homens e mulheres, não importa a idade. Elas podem ser classificadas em primárias ou secundárias.

1) Vasculites primárias – formas mais raras da doença, caracterizam-se pela agressão direta aos vasos sanguíneos. Embora as causas não sejam conhecidas, é fundamental que a inflamação não tenha sido desencadeada por nenhuma outra enfermidade e que o sistema imune esteja envolvido.

2) Vasculites secundárias – estão associadas a uma doença de base. As causas mais comuns são as infecções por vírus, doenças autoimunes (como lúpus, artrite reumatoide e esclerodermia, por exemplo), reações alérgicas a medicamentos e alguns tipos de câncer, entre eles, a leucemia e os linfomas.

 Sintomas

Os sintomas das vasculites variam de acordo com os vasos comprometidos pela inflamação e os órgãos afetados (rins, articulações, sistema nervoso central e vias respiratórias). Nas fases iniciais, costumam ser inespecíficos, ou seja, são semelhantes aos provocados por vários outros quadros inflamatórios. A pessoa se queixa de mal-estar, febre, sudorese, fraqueza, cansaço, perda de apetite, emagrecimento. Com a evolução da doença subjacente, podem ocorrer as seguintes manifestações clínicas: dor abdominal e nas juntas, urina escura ou com sinais de sangue, tromboses, aparecimento de manchas vermelhas na pele, sensação de formigamento e perda de sensibilidade nas áreas próximas aos vasos inflamados.

Diagnóstico

Estabelecer um diagnóstico preciso da vasculite não é das tarefas mais fáceis porque, no início, os sintomas são inespecíficos, de evolução quase sempre lenta, e semelhantes aos de muitos outros processos inflamatórios. No entanto, a distinção entre as diferentes formas da doença é fundamental para orientar o tratamento. Para tanto, é preciso levar em conta a história do paciente, os sintomas, uma avaliação clínica minuciosa e o resultado de exames específicos de sangue e de imagem. A biópsia dos tecidos e órgãos acometidos pela doença é um recurso indispensável para esclarecer o diagnóstico.

Tratamento

O objetivo do tratamento da vasculite é reduzir a inflamação nos vasos sanguíneos. Ele varia de acordo com o tipo e gravidade da doença e as condições do órgão afetado.  Em alguns casos, a enfermidade é autolimitada e desaparece espontaneamente. Em outros, quando é possível identificar a causa, é suficiente afastar o agente etiológico para reverter o quadro. Às vezes, a pessoa está aparentemente curada, mas os sinais da infecção ressurgem e é necessário retomar o tratamento.

Há vários tipos de vasculite que respondem bem aos medicamentos esteroides para controlar a inflamação. Infelizmente, casos mais graves exigem a prescrição de drogas imunossupressoras e citotóxicas para destruir as células do sistema imunológico que participam do processo inflamatório. Quando o uso dessa medicação se faz absolutamente necessário por longos períodos, é preciso introduzir medidas para evitar os efeitos adversos dos esteroides e o risco de infecções oportunistas.

Recomendações

Lembre que o diagnóstico precoce da vasculite representa um pré-requisito básico para o sucesso do tratamento das diferentes formas da doença. Não se automedique. Procure assistência médica se os sintomas típicos da inflamação forem recorrentes.

 

Fonte: Dr. Drauzio Varella

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