Hipotireoidismo: como saber se eu tenho essa doença?

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Hipotireoidismo: como saber se eu tenho essa doença?

Hoje o artigo publicado vai ser um pouco diferente do nosso tema principal que são as doenças da circulação, para falar de uma doença muito comum, que afeta milhões de pessoas pelo mundo, principalmente as mulheres, que é o hipotireoidismo.
O hipotireoidismo é, inclusive, uma doença que pode levar a inchaço nas pernas não relacionado com problemas circulatórios. Pode ainda levar a dificuldade na perda de peso, o que afeta diretamente a circulação venosa, levando ao aparecimento e piora das varizes.
Para falar sobre esse tema tão importante, convidei o Dr. Gustavo Daher, que é endocrinologista do Hospital Albert Einstein.

Hipotireoidismo é uma doença extremamente comum que acomete a tireóide, especialmente em mulheres e que possui diagnóstico e tratamento simples e acessível.

O que é Hipotireoidismo?

Hipotireoidismo é uma condição onde a glândula tireóide, responsável por produzir e secretar os hormônios tireoidianos, passa a produzir menos hormônios que o necessário para o organismo.
A grande maioria das vezes essa diminuição de produção é decorrente de um problema na própria glândula tireóide, sendo que um dos principais causas desta alteração é a presença de anticorpos que destruem a tireóide com o passar do tempo, esta situação é conhecida como Doença de Hashimoto.
Muitas vezes o hipotireoidismo é confundido com o hipertireoidismo que, apesar do nome parecido, é uma doença que apresenta situação exatamente oposta, com liberação em excesso dos hormônios da tireóide. Condição mais rara e muitas vezes mais complexa.

Quais são os principais sintomas do hipotireoidismo?

Os hormônios tireoidianos funcionam como “reguladores” do metabolismo das células, assim em situações onde há falta destes hormônios há uma tendência a diminuição geral do funcionamento de vários sistemas do organismo.

Geralmente esta queda é gradual gerando os seguintes sintomas:
– Aumento do cansaço
– Sonolência excessiva
– Raciocínio mais lento
– Aumento da sensação de frio (passa a ter menos tolerância ao frio)
– Diminuição do suor
– Prisão de ventre
– Pele mais seca e fina
– Cabelos mais secos e quebradiços
– Aumento do inchaço
– Ganho de peso (normalmente discreto)
Em situações onde há queda rápida dos hormônios (mais raro) ou muitos anos de evolução da doença sem tratamento adequado, situações mais graves podem ocorrer incluindo diminuição dos batimentos cardíacos, alteração na menstruação nas mulheres, alteração na função dos rins e em casos extremos levar a coma e morte.
Outra situação importante é o hipotireoidismo na mulher grávida, situação que deve ser monitorada de perto por especialistas que possam tratar o hipotireoidismo adequadamente, para que o bebê e a gravidez possam se desenvolver sem complicações.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito através de coleta de exames de sangue que medem diretamente a concentração dos hormônios tireoidianos na circulação, especialmente o hormônio principal chamado Tiroxina (chamado de T4), e também do hormônio que estimula a produção dos hormônios da tireóide chamado de TSH.
Estes exames são pedidos quanto a suspeita médica pelos sintomas do paciente ou em eventuais exames de rotina.

No Brasil, no teste do pezinho, todos os bebês são testados para uma condição rara que é o hipotireoidismo congênito, situação onde há baixa produção do hormônio desde de o nascimento da criança impedindo assim o seu desenvolvimento adequado. Por isso o diagnóstico precoce é essencial.

Como é feito o tratamento?

O tratamento do hipotireoidismo consiste na reposição do hormônio tireoidiano que não foi produzido pelo organismo.
Esta reposição é realizada através de comprimidos que possuem o hormônio T4 em quantidade previamente conhecidas. Devendo ser feita sempre com orientação e seguimento médico, para que a quantidade tomada seja a adequada para cada indivíduo, evitando assim, situações de excesso ou falta de hormônio.
A monitorização deve ser feita periodicamente através da dosagem do hormônio no sangue, sendo que muitas vezes a dose deve ser ajustada por uma série de fatores, destacando-se mudanças no peso, uso contínuo e regular da medicação.
A maior parte das pessoas necessitam de tratamento para o resto da vida, pois como já dito, a principal causa da doença é a destruição da tireóide por anticorpos. De qualquer maneira, mesmo nesta situação o acompanhamento médico contínuo é essencial para avaliar a necessidade de continuidade do tratamento.
Vale ressaltar que o uso indevido desta medicação por pessoas que não possuem hipotireoidismo é potencialmente muito perigoso e prejudicial a saúde, pois pode levar a alterações indevidas no metabolismo e consequencias diversas em todo o organismo.

Por Juliana Puggina
Fonte: Pernas pra que te quero