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Matéria publicada na revista Saúde é Vital

Quase todo mundo vai travar essa batalha alguma vez na vida, e não faltam tratamentos para acabar com ela. A questão é acertar na estratégia mais eficaz – uma missão complexa e cercada de desafios.

A metáfora da guerra está meio fora de moda, mas dá uma boa idéia de como a medicina enfrenta as dores de coluna hoje. Temos um numeroso arsenal contra esse inimigo que vai afligir oito em cada dez pessoas pelo menos em um momento da vida, mas muitas vezes estamos errando o alvo ou pecando pelo excesso. É o que sugere um levantamento da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, englobando 23.918 consultas por causa de queixas desse tipo entre 1999 e 2010. Os pesquisadores concluíram que, ali, os médicos não seguem direito as recomendações para o manejo do problema, o que resulta em um abuso na prescrição de remédios, exames de imagem e até mesmo cirurgias.

O pior é que isso nem sempre tem se refletido em um maior controle da dor. “O mais alarmante é o crescimento na indicação de analgésicos opioides. De 1990 pra cá, houve um aumento de 300% no uso dessas drogas”, aponta a SAÚDE John Mafi, um dos clínicos que assinam o trabalho.“Acontece que elas não funcionam para todos os quadros e ainda costumam provocar dependência”, alerta o estudioso.

O Brasil não dispõe de uma análise tão fidedigna, mas nosso cenário também pede reflexão – tanto do médico como de quem o procura. Por aqui, o exagero parece ocorrer sobretudo nos exames de imagem, como raios X e ressonância magnética.“Principalmente em consultas de convênio ou do SUS (Sistema Único de saúde), o profissional examina pouco o paciente e, para compensar, pede esses testes”, contextualiza o reumatologista José Ribamar Moreno, diretor do Centro de Tratamento intensivo da Dor, no Rio de Janeiro. Infelizmente, porem, esses métodos não têm a capacidade de acusar a origem precisa do incômodo, salvo exceções como um tumor. “Na maior parte dos casos, exames de imagem não firmam diagnóstico, até porque quase todo mundo apresentará uma radiografia com alguma alteração na coluna.

O primordial é um exame físico de qualidade”, afirma o neurologista Manoel Jacobsen Teixeira, coordenador do Centro de Dor do Hospital das Clinicas de São Paulo. Pelo visto, ter tempo para puxar a história do sujeito e avaliá-lo ao vivo e em cores é mais útil do que apelar de imediato para a tecnologia. Mas não são apenas os especialistas que acabam confiando demais nas máquinas. Os próprios pacientes já esperam sair do consultório com uma lista de prescrições.

“Há uma pressão por exames e remédios, só que é necessário ter em mente que, com paciência e medidas simples, se resolve a maioria dos casos”, observa o ortopedista e cirurgião Luiz Cláudio Schettino, do instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, na capital fluminense.

CAMISETA ANALGÉSICA

Sim, ela já existe e há pesquisas constatando sua eficácia. O tecido tem moléculas que emanam um calor na pele e sinalizam para os nervos que é hora de inibir o impulso doloroso. Mas não é qualquer roupa com fama de analgésica que tem esse efeito – vale uma palavra com seu médico.

 

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Matéria: A dura guerra à dor nas costas

Fonte: Revista Saúde

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